Rapidinhas

Rapidinhas 15.07.09

Cidinha, o que você achou:
 
Da foto do Lula e do Collor, em Alagoas?
Um espanto.  Se me dissessem que eles estariam no mesmo palanque há quinze ou dezesseis anos, eu responderia que o camarada tinha pirado.  Que era uma hipótese inviável.
Mas acho que isso vale pra gente como eu que viveu aquele período do impeachment do “caçador de marajás”. 
Para quem está com vinte anos, o fato não tem o menor significado.
Maquiavel devia estar certo quando disse que o tempo é o senhor da razão.  Na verdade, é ele que dá as cartas, que distingue o real do ideal.
Vendo a foto da primeira página do Globo, em que estão abraçados e sorridentes, durante o lançamento de uma obra do PAC, em Palmeira dos Índios, me convenço de que eles já eram iguais – sempre foram iguais -, só estavam em lados diferentes.
Os desaforos que trocavam faziam parte do jogo.
O jogo continua e, agora, os dois e seus grupos estão no mesmo time.
 
Dos desdobramentos da crise envolvendo o presidente do Senado José Sarney?
O povo se limita a comentar os acontecimentos.  Por mais que os escândalos ocupem o noticiário, a repulsa não é suficiente para que o “fora Sarney” chegue às ruas.
E não é para menos.  Quanto tempo faz que se sabe das maracutaias dele e dos filhos?  E o que lhes aconteceu?  Qual foi o desfecho daquela apreensão pela Polícia Federal de mais de um milhão de reais que seriam usados pelo Jorge Murad, na campanha de sua mulher Roseana Sarney à presidência da república? 
Não aconteceu nada.  Não houve a menor consequência.  A Justiça decidiu que não havia culpa.  A justiça atestou a inocência de todos eles.
Ela é que trata de moldar a realidade.
A Justiça Eleitoral cassou o mandato do governador do Maranhão, Jackson Lago e decidiu que a mesma Rosana deveria assumir o cargo.
E ela está lá tratando dos destinos de um dos estados mais miseráveis do país.  A justiça quis assim.
Quanto ao Sarney, a culpa não é só dos senadores.  Os líderes da oposição – e mais os peemedebistas Pedro Simon e Jarbas Vasconcellos – pediram sua renúncia.  Que mais podem fazer?
Em última instância, a gente sabe, a última palavra é dada pela Justiça.  E, no Brasil, quanto mais poderoso é o acusado, mais chance tem de continuar impune.
 
Da prisão do Romário?
Não é a primeira vez que acontece, mas pra grande parte da população, isso não é grave.  No caso dele, não chega a ser um escândalo, é folclore.  Ninguém fica com pena, nem com raiva.  Vira papo de mesa de bar ou de salão de cabeleireiro.
Tem gente que está acima do bem e do mal, pode fazer o que quiser: presidente, senador, artista, jogador de futebol.
 
Do aumento da arrecadação no Rio?
É reflexo do choque de ordem que a prefeitura vem executando.  A legalização de diversas atividades e o combate à desordem urbana estão mudando a feição da cidade e das finanças do município e do estado.
As pessoas estão pagando para se legalizar e isso é bom para todo mundo.
Outra coisa muito boa é o estimulo à exigência da nota fiscal.  É oferecida uma série de descontos no pagamento de impostos.  A compra com nota oferece uma série de vantagens.  
Deu certo em São Paulo.  Minha irmã não perde uma.
 
Da foto de capa do Dia?
Como é possível? Em plena Rua Alberto de Campos, as janelas lacradas com tijolos e concreto por causa de balas perdidas.
É uma coisa bárbara, mas é prova de que a gente se habitua a tudo.  
Até ao absurdo.
 
Da ação do Bope em reação ao assassinato do cabo, motorista do comandante?
Não me surpreende.  É preciso cuidado para que a busca não se transforme em matança, mas os assassinos têm que ser apanhados.
E vão ser, tenho certeza.
 
Do caso da menina inglesa que vivia com dois corações?
Ainda fazia meu programa de rádio quando acompanhei a notícia da cirurgia.  Na época ela estava com seis anos e seu coração fraquejava.  Foi implantado outro, mas o médico decidiu manter o original, na esperança de que voltasse a bater normalmente.
E foi o que aconteceu, depois de anos de tratamento e muitos remédios.  O mesmo médico extraiu o coração implantado e outro assumiu plenamente suas funções.
Vi a entrevista da, agora, mocinha de dezesseis anos, sã e salva.  
Casos como esse me devolvem a esperança no futuro da Humanidade.